Um chamado para Delfim Moreira

21 de novembro de 2018Jessica Moraes
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O post é sobre Delfim Moreira mas antes vou contar um causo. Eu, que já quis ser roteirista e imaginei roteiros para minisséries que nunca coloquei no papel, tive um sonho digno de novela. Foi entre o final de 2016 e o início de 2017. Eu estava na Globo, entrava por uma porta enorme de madeira maciça e me encontrava dentro um vilarejo medieval. Havia uns testes a serem realizados e um único vencedor. Eu venci todos e, ao final do sonho, comecei a rodopiar e gritar “eu sou o guardião de ouro!”

Aquele sonho foi tão engraçado que contei pra todo mundo. Cheio de detalhes, lembro dele até hoje. Mas estou falando dele por causa das pequenas coincidências sem sentido que aconteceram desde então. Pouco tempo depois estreou uma novela com temática medieval. Salve o Rei. E agora uma novela acaba de estrear no horário das nove: O Sétimo Guardião.

Bobagem né? Eu sei. Mas no último fim de semana aconteceu mais uma coincidência curiosa. Vou compartilhar essa historinha com vocês.

cidade de Delfim Moreira

Eu e o Alê, meu marido, fomos passar o sábado no sul de Minas. Temos parentes por lá e aproveitamos para conhecer um pouco mais sobre Delfim Moreira, cidadezinha próxima de onde ficávamos.

O Alê sempre gostou muito de natureza, mas digamos que ele é mais “raiz” que eu. Gosta de cachoeira, trilha, subir montanha, se sujar na lama, andar a cavalo, etc. Ele adora uma roça, eu sou meio receosa por causa dos insetos – entomofobia, que fala.

E Delfim, pelo que ele conhecia, era uma cidade propícia para curtir essa natureza rústica. Apesar disso, a cidade é bem simples, pacata, sem atrações turísticas que não fossem privilegiadas pela natureza. Não é bonita, mas tem uma praça principal com uma igrejinha e é cercada pelas altas serras da maravilhosa Mantiqueira. Isso significa que, se você está no alto de uma vista ou montanha, você vai ver que há uma beleza genuína ao redor.

Conseguiu imaginar como é Delfim Moreira? Legal então. Porque agora eu vou contar um novo episódio dessa história.

A Lua

cidade de Delfim Moreira

Eu tinha decidido – por nenhuma razão qualquer – que faria a gótica suave naquele dia. Me vesti toda de preto e usei uma gargantilha preta com um pingente de lua. Era a primeira vez que estava usando aquele pingente, presente muito querido que minha sogra me deu.

Era um dia feio, nublado, com alguns períodos de chuva leve. Mas no comecinho da noite o tempo começou a abrir. Entre as nuvens, uma lua se erguia alta, reluzente, crescente. Era bonito ver o céu daquele jeito, com uma baita trilha sonora de fundo: sapos orquestradores e aves misteriosas, com seus sons um tanto extravagantes (coisa que dificilmente se ouve em uma cidade pouco maior que aquela).

solstício blog

Ficamos por lá durante a noite, procurando algum lugar para jantar. Na minha cabeça, eu ia parar num boteco qualquer que estivesse aberto, e ótimo, não tenho problema nenhum com isso. Mas o Alê encontrou uma pousada no caminho.

O nome da pousada? La Luna. Tudo aquela noite parecia realmente sugestivo. A fachada de relva, os objetos de ferraduras, sinos, vasinhos terracota e outros detalhes charmosos nos chamou atenção. Uma decoração tão encantadora em meio a casas tão simplórias.

cidade de Delfim Moreira

Estávamos hospedados em outros lugar, mas queríamos comer e conhecer o lugar. Tocamos o sino e esperamos em frente a uma porta de madeira maciça (sim, bem parecida com a do sonho) para sermos atendidos.

Fomos recebidos pela Carmen, dona da pousada. Muito gentil e atenciosa ela mostrou a casa e descreveu os pratos da noite. A casa tinha um pé direito magnífico com teto de madeira e a decoração era ainda mais surpreendente do lado de dentro. Um piso de mosaico azul vibrante, castiçais, tapetes, livros, quadros, um recanto cheio de alma e de história. Nós dois ficamos embasbacados. Enquanto esperávamos pelo jantar no andar de cima, sozinhos, o outro dono da pousada, Mucinho, nos apresentou as opções de bebida. Escolhemos uma cerveja artesanal de Delfim Moreira, Maltes de Minas.

Qual não foi o segundo impacto. Uma pilsen com toque de gengibre. Uma das cervejas mais perfeitas que já saboreei – para quem gosta de cerveja e de gengibre, é imperdível.

Sim, Delfim Moreira possui cervejas próprias, aliás, mais de uma cervejaria. Os negócios locais crescem em Delfim Moreira e grandes empresas estão se aproximando cada vez mais da cidadezinha. Cidadezinha com mais de 300 anos e menos de 10 mil habitantes, com uma história de prosperidade e também de falência Mas parece que a história não termina aí, como podemos perceber. História que contamos no nosso primeiro vídeo no Youtube!

Durante a apreciação da pilsen, Mucinho nos contou algumas histórias um tanto curiosas sobre o surgimento da pousada e sua própria história profissional, como escritor e roteirista. Além das histórias sobre Delfim. Eu me perguntava afinal, por que uma pousada tão elegante e tão rica de histórias, ficava num lugar tão fim-de-mundo que Delfim parecia ser.

Mucinho nos contou que por circunstâncias da vida eles tiveram que sair de São Paulo. Foram eles e sua sogra. Grande figura do lugar, que embora não tenha tido a oportunidade de conhecer nesta ocasião, soube que era a grande autora das criações da pousada. Lindos tapetes de parede e também de algumas criações gastronômicas.

Quando nosso prato chegou, um risoto de limão siciliano e uma truta grelhada, Mucinho nos ofereceu o azeite da casa, com um toque especialmente defumado, criado pela sogra. Você já provou um azeite defumado? É algo inigualável, e que não podíamos comprar. É um sabor único que você só experimenta em La Luna.

cidade de Delfim Moreira

Ainda querendo entender o que havia de especial em Delfim – embora eu já sentia dentro de mim de alguma forma – Mucinho nos contou que Delfim Moreira encanta muita gente de fora por essa simplicidade. Encantou o autor Aguinaldo Silva e o inspirou para escrever a novela “O Sétimo Guardião”, a novela novela de onde? Da Globo. Sim, Serro Azul, a cidade cenográfica da sinopse, é totalmente inspirada em Delfim Moreira. Delfim, por sua pequenez, parece mesmo uma cidade de novela. Remonta a novelas antigas como Tieta, a Indomada, Pedra Sobre Pedra. Essa vida brejeira está de novo sendo retratada na telinha, agora com um toque místico e cheio de mistério, porque sim, Delfim também é assim. Suas matas, seus sons, suas fábricas abandonadas, seus casarões, suas estradas.

Fiquei abismada com as histórias, a comida, a bebida, o lugar, o luar. Eu e o Alê começamos a filosofar sobre os mistérios da vida e acabou sendo uma noite e tanto. Em uma cidade pacata que teoricamente não acontece nada.

Comments (4)

  • Camila Faria

    21 de novembro de 2018 at 20:44

    Que história incrível Jess! Fiquei arrepiada com as coincidências. Delfim Moreira me pareceu um lugar mágico, onde tudo pode acontecer ~ se você estiver com os olhos e a alma abertas para novas possibilidades. Demais esse “causo”. 🙂

  • Gábi

    23 de novembro de 2018 at 14:40

    Oi!

    Mas essas coincidências da vida são deliciosas!
    Amo essas cidadezinhas mineiras! Nos últimos anos conhecemos São Thomé das letras e Gonçalves…..adoramos =)

    Beijos!
    Gábi

  • Jessica Moraes

    Jessica Moraes

    23 de novembro de 2018 at 17:10

    Gábi, São Thomé das Letras e Gonçalves são justamente as duas cidadezinhas mineiras que queremos muuuito conhecer! Olha outra coincidência aí 🙂 rss

  • Hozana

    25 de novembro de 2018 at 01:38

    Que riqueza de lugar! Fiquei encantada com o lugar e a história. Particularmente, eu amo lugares com esse clima misterioso, sabe? Eu não vejo muito a novela, mas uma das coisas que eu mais gostei na história da novela é a cidade ser tão singular e cheia de mistérios. Incrível que você esteve justamente no local que inspirou o autor e que te fez sentir como se estivesse realmente num lugar onde histórias (que se lê em livros e se vê em novelas) acontecem. Borboletra

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