A viagem sonora de José González – a voz do folk

13 de setembro de 2018Jessica Moraes
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Esse cara faz com que eu perca o maior dos meus medos: o medo da solidão. Porque escutar o som de José González é viajar para dentro de mim mesma. Benefícios psíquicos à parte, José González é mesmo uma viagem sonora.

Sempre conheço preciosidades musicais no maior dos acasos. Com ele não foi diferente. Foi ao passar na fase do jogo Red Dead Redemption, lá num tardio 2012, onde tive a felicidade de escutar Far Away pela primeira vez, cavalgando nos campos de Perdido, próximo ao México. Tudo pelo videogame, claro. Mas foi graças ao jogo que pude conhecer o som do argentino criado na Suécia, que para mim não tocava um estilo único, apenas, mas um estilo musical do qual eu nunca tinha me identificado antes. Um som orgânico, de violão e voz limpos. Qual a magia em escutar José González?

Ouvir seus dois primeiros álbuns, Venner e In Our Nature, é, em um primeiro momento, ouvir músicas que parecem ser iguais. Mesmo ritmo, mesma sensação. Embora nada se compare a Teardrop e Far Away (a verdadeira música folk), todas as canções são igualmente caras. Cada música é um respiro, uma pausa na velocidade do mundo.

A primeira impressão é um ruído acústico simplificado, cru. No entanto, tudo é proposital para uma estética de natureza rústica. Ouvir José González não é apenas algo para silenciar nossa mente; ouvir José González é ouvir o próprio silêncio.

Dica: assista a todos os lyric videos!

Descobri então com José González não só o meu amor pelo western way-of-life, mas meu amor pela música folk. Mas o que seria a música folk? Não seria apenas uma letra melódica, nem uma referência meramente folclórica de determinada região; mas precisamente o blues à sua maneira; o uso dos instrumentos certos, a melancolia não necessariamente triste, mas a melancolia existente da vida real. Um violão, uma gaita, uma harmonia. O folk é a essência musical.

Junip

Não fosse suficiente a descoberta, encontrei Junip, o projeto paralelo de José González com mais dois músicos, Tobias Winterkorn e Elias Araya. Com mais artifícios, Junip não deixa a desejar. A formação é de 1998, antes de Gonzalez encarar o voo solo em 2003, mas recentemente eles realizaram grandes êxitos dentro do folk-rock com os álbuns Fields e Junip. Senão melhores que o próprio trabalho de González, a banda Junip foi o maior salto na carreira do sueco, que trouxe obras-primas como Line Of Fire, a música que anunciou a última temporada de Breaking Bad (talvez a música-essência da série mais premiada dos últimos tempos).

Line Of Fire é a última prova. Não só representa a guerra interna do homem na letra em si, como também no ritmo acelerado dos violões e na voz crua e consoante de González.

Put to the test
Would you step back from the line of fire?
Hold everything back
All emotions set aside it

Quando eu acreditava que José González era apenas um músico para poucos ouvidos, eu me deparo com seu nome na trilha sonora de A Vida Secreta de Walter Mitty, de 2013, o que não poderia ser mais certeiro, tendo em vista o roteiro. Um homem comum, interpretado por Ben Stiller, com uma vida medíocre, que nunca tomou uma iniciativa relevante capaz de mudar a configuração de seu próprio mundo.

Quem já não passou pela hora H? Aquele momento minutos antes de chutar o balde, de questionar a vida, de dar a volta por cima. E Mitty foi e fez o seu. Com José González tocando ao fundo, por certo.

O retorno

E a pertinência de González e seu violão também percorreu o mundo. Suas capas são caracterizadas por ilustrações minimalistas (desenhadas por sua mulher, a ilustradora Hannele Fernstrom) e seus clipes hoje traçam um perfil próprio, com rostos e caricaturas igualmente limpas, transparentes, expostas à sua realidade, sem resquícios, sem filtros.

Depois de ter me convencido de uma vez por todas no fim de 2014 que aquele seria o artista da minha pequena e criteriosa lista de artistas favoritos e atemporais, José Gonzalez retoma sua carreira solo na mesma época, trazendo Vestiges & Claws, que trouxe ótimas surpresas, como a oportuna Every Age e a gloriosa Leaf Off/The Cave, uma celebração musical. O folk chegou pra ficar – na voz dele.

Comments (3)

  • Playlists no Spotify – uma para cada ocasião! – Solstício

    7 de novembro de 2018 at 12:00

    […] para ser a trilha do cotidiano. O Solstício sempre teve a proposta de ser essa pegada leve, mais folk, que tem tudo a ver com o clima de natureza, montanha, e costuma ter também essa pegada mais […]

  • Gábi

    7 de novembro de 2018 at 16:34

    Sempre procuro “Folk Music”nas listinhas do Spotify! Adoro esse estilo!
    Adorei conhecer as músicas do José González! =)

    Beijos!
    Gábi
    @gabrielaer

  • Alê

    6 de dezembro de 2018 at 14:24

    Que delícia ler um post sobre música aqui! Estou ouvindo o José González, que eu já tinha ouvido falar, mas ainda não tinha ouvido com atenção. A música “heartbeats” eu já conhecia na versão original do The Knife. Se você ainda não conhece, vale a pena, é bem linda.

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