O post definitivo do incenso

2 de outubro de 2018Jessica Moraes
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Ahá, você certamente deve estar aqui porque é um apreciador/apreciadora de incensos e seus aromas. Eu também sou, e assim como você, sempre tive curiosidade de saber mais sobre a origem dos incensos, quais são os mais indicados e como usar “adequadamente”, digamos assim.

Acontece que há muito o que se falar sobre incensos. E não tem como falar de incenso sem falar de religiosidade. Ao contrário do que é extremamente difundido na internet, eu tento trazer um conteúdo mais desmistificado possível, embora quando se trata de incensos, isso acaba sendo mais difícil, já que sua finalidade, na maioria dos costumes sociais, tem fins espirituais, energéticos, religiosos.

Eu não sou totalmente cética, eu tenho minhas crenças pessoais. Mas como jornalista, gosto de trazer informações o mais coerentes possíveis para os leitores que aqui prestigiam. Então o que eu trago aqui é um contexto do significado do incenso na maioria das culturas, como ele é visto e como o seu uso é geralmente indicado. Tendo dito isso, me acompanhe nessa história envolvente do incenso pelo mundo afora!

incensos

Origem do incenso e seus simbolismos

Índia? Egito? China? Não se sabe ao certo onde o  incenso tem seu berço, pois ele remonta a tempos primórdios, onde o homem já fazia várias experimentações com a queima de ervas e plantas após a descoberta do fogo. Não só pela obtenção dos perfumes naturais que dali se extraiam, mas dá vontade natural genuína do homem de se conectar com algo divino. Desde os tempos primitivos a fumaça sempre fôra uma tentativa de comunicação com forças superiores, por meio dela era possível “decodificar” essa conexão.

Algo muito enraizado no tempo dos faraós, nas dinastias chinesas e nos templos hindus. Muitos povos acreditavam que a fumaça do incenso era o único elo de ligação física entre o homem com o mundo espiritual. E essa relação com o incenso acompanhou a evolução da humanidade, sendo onipresente em cerimônias religiosas e rituais de purificação.

A resina aromática dos incensos era feita de ervas, já muito conhecidas pelas sociedades daquele tempo. Para se fazer o incenso, obtém-se a resina vegetal de algumas espécies de árvores burseráceas, muito comuns nos desertos da Arábia e também da África.

A resina era extraída das árvores através de uma incisão feita nos troncos. Com o corte, a árvore liberava uma goma que era coletada para que o incenso fosse fabricado. Após a secagem e de alguns processos de preparação, a resina era então queimada, originando o incenso que conhecemos e trazendo bons aromas para os ambientes desde a antiguidade.

Nos rituais da Igreja Católica, o uso do incenso tem embasamento em passagens bíblicas e simboliza as orações dos fiéis se elevando a Deus.

Independentemente da crença e suas finalidades ritualísticas, é legal entender que o aroma do incenso remete à toda essa sensibilidade humana porque resgata emoções e memórias afetivas, por isso o seu uso é tão emblemático. Em minhas práticas de mindfulness, eu também uso o incenso como um impulsionador desse resgate interior, pois tudo o que traz à tona uma reação sensorial, como no caso da fragrância, converge em uma viagem bonita de autoconhecimento.

Vale observar também que o incenso tinha outras articulações. Ainda que a fumaça tinha um valor catártico (de purificação, de relaxamento) e apotropaico (de afastar más energias), o incenso também era queimado nas casas com fins higiênicos. Era de uso antigo, por exemplo, espalhar resina e ervas aromáticas sobre carvões acesos para purificar o ar e afastar o perigo de infecções.

Além de deixar o ambiente com um aroma agradável, o perfume também possui qualidades anti-sépticas e bactericidas.

incenso

Desenvolvimento e industrialização

Tantos eram os povos que atribuíam ao incenso alguma importância rara em suas tradições, que não é de se estranhar o desenvolvimento da ‘ciência’ do incensamento, com seus vários processos e fins.

Resinas, gomas e especiarias eram utilizadas no embalsamamento, fumigação e medicina na Pérsia, Iraque e Arábia, onde eram queimadas nas piras funerárias, em casamentos e em outras celebrações (batismos, funerais e festas religiosas).

Era um costume enraizado na vida diária do povo. O incenso cumpriu um papel importante nas práticas religiosas e rituais místicos da antiga Babilônia, Pérsia, Turquia, Síria e Arábia – e parece ter sido deste último país que o seu conhecimento chegou à Europa, onde caravanas de incenso tornaram-se cada vez mais populares.

Os árabes extraíram seus conhecimentos sobre os efeitos do incenso, do Antigo Egito e rapidamente desenvolveram o uso de perfumes e óleos em uma arte altamente evoluída até hoje conhecida e cultuada.

O uso abundante do incenso tornou-se um símbolo de poder e riqueza e gradativamente os perfumes tornaram-se conhecidos e utilizados por todas as culturas clássicas da Europa.

Podemos concluir também que o incenso é muito para realçar seu deleite e apreciação da própria vida.

Fabricação dos incensos

Os incensos podem ter inúmeras combinações de ingredientes em sua fabricação, por isso existem centenas de receitas diferentes. Folhas, ervas e madeiras aromáticas são misturadas e queimadas para a composição desses aromas agradáveis específicos, que podem se transformar em velas, óleos e  incensos. Mas hoje, em locais com produtos menos elaborados e demanda alta de produção, o método de fabricação é similar; são usadas verdadeiras linhas industriais para a fabricação de milhões de varetinhas, diminuindo drasticamente a qualidade. Geralmente eles são feitos com ervas trituradas, misturadas, e processadas. Esse pó misturado já pode ser utilizado como incenso, basta queimá-lo com carvão vegetal em um recipiente.

Mas se o método de combustão for com varetas, é preciso um aglutinante na mistura para que elas queimem até o fim. Geralmente nesse caso o carvão é triturado com a goma arábica e aí misturado com as ervas aromáticas. Muitos usam massala ao invés de carvão, e existe uma discussão incessante sobre qual é menos prejudicial à saúde e ao meio ambiente.

Tipos e formatos de incenso

Base

Os dois principais tipos geralmente podem ser divididos em “queima indireta” e “queima direta”. O incenso de queima indireta, também chamado de “incenso não-combustível”, requer uma fonte separada de calor, uma vez que não é capaz de queimar-se.

tipos de incenso

O incenso de queima direta, também chamado de “incenso combustível”, é aceso diretamente por uma chama e depois se espalha, a brasa do incenso irá arder e liberar a fragrância. Exemplos de incenso de queima direta são as varas de incenso (incenso), cones ou pirâmides.

Carvão vegetal – é uma das bases mais tradicionais para a queima de incenso, e além dos formatos citados, como varetas, cones ou tabletes.

Massala – outra base bastante usada na produção de incensos, principalmente os indianos.  os incensos de massala são feitos com dois ou mais aromas, pois “masala” significa “mistura”. Estes aromas são obtidos das ervas e óleos essenciais utilizados na composição da mistura.

Dependendo da base e do formato de incenso que você escolhe, não dá pra queimar com um simples fósforo. Existem mini maçaricos pra isso.

Assim como também podem ser encontrados em vários formatos, como resina, tablete, bastão e vareta, o mais conhecido dos tempos modernos, que podem ter espessuras diferentes de acordo com a sua fabricação (podem incluir a camada de carvão ou não). Vou citar alguns tipos menos conhecidos que são muito interessantes:

Copal – assim como outras resinas para  queima de incenso, o copal é uma resina natural muito similar ao âmbar, originada de fósseis de árvores como ciprestes e pinheiros de regiões quentes. Como forma de incenso junto a outras ervas e resinas, ela garante um aroma completamente único.

Palo santo – já o palo santo é uma madeira aromática (!) da Bursera Graveolens, árvore que vive por até 90 anos. É considerado um recurso sagrado, com propriedades curativas e terapêuticas.

Sálvia branca – existe um jeito muito curioso (e rústico) de queima de incenso, que é através das folhas de sálvia enroladas em um maço e queimadas dentro de uma concha, algo muito presente em rituais xamânicos.

Sweet grass – outra folha vegetal diferenciada, originada da Hierochloe Odorata, erva aromática nativa do norte da América do Norte. É usado na medicina herbária e na produção de bebidas destiladas. Deve seu aroma característico à presença de cumarina.

Espanta mosquito – tem formato de espiral e possui esse nome, obviamente, porque é a sua finalidade.

São muito utilizados os incensos feitos com óleos de rosa, jasmim, pandang, champac, patchouli, sândalo, cipreste, mirra, canela doce, cálamo, cássia e óleo de oliva e outros, cada um criando um efeito distinto para rituais religiosos e uso caseiro.

tipos de incensos

Malefícios do incenso

Sim, eu tenho essa má notícia pra contar. Alguns incensos industrializados possuem um nível de toxicidade alto para a saúde humana. Em 2015, a Proteste, um órgão nacional renomado de defesa do consumidor avaliou cinco marcas de incensos e constatou que todas as marcas analisadas emitiam benzeno e formaldeído acima dos níveis considerados seguros e por isso, foram avaliadas como ruins.

As duas substâncias podem causar problemas respiratórios e vários tipos de câncer, entre outras doenças. Ambas são rapidamente absorvida pelos pulmões e potencialmente cancerígena, além de provocar dores de cabeça, dispneia, rinite, piora da asma e irritações na pele e nos olhos.

Não se sabe de de lá pra cá algo mudou consistentemente. Infelizmente, a grande maioria dos incensos vendidos no Brasil são fabricados com componentes sintéticos e nocivos.

Os melhores incensos

A boa noticia é que temos algumas opções interessantes. Os incensos naturais ou artesanais, como preferir, são fabricados com matéria prima natural como ervas, resinas vegetais, especiarias e essências.

Também existem outros tipos de incenso, como os feitos de massala – um produto indiano natural, que mistura ervas e aromatizantes – e os japoneses, cujos ingredientes também são genuínos e têm alta qualidade.

Portanto, ao escolher um incenso, leve em consideração os materiais com os quais ele é produzido.

Como identificar os incensos naturais?

Os produtos artesanais geralmente são mais rústicos e grossos, além de trazerem no rótulo da embalagem a especificação de um incenso 100% natural.

Esses produtos possuem uma formulação natural composta por essências orgânicas (não fabricadas com derivados de petróleo), carvão vegetal, resinas naturais, ervas, folhas e cascas.

Dica: um bom incenso é aquele cujo aroma você pode identificar facilmente. Através do olfato, quando o inalamos, uma reação é produzida imediatamente no nosso corpo. E cada cheiro possui suas vantagens particulares. Já quando o produto é de má qualidade, não traz os benefícios que propõe, exalando apenas o perfume.

como usar incenso

Modos de usar

Atualmente o incenso costuma ser muito buscado por quem deseja tratar algumas inquietações emocionais e sim, é indicado por profissionais da saúde para usos terapêuticos.

E existem também recomendações de uso, a começar pela maneira de acendê-lo. O incenso de vareta, por exemplo, deve ser fixado na posição vertical para a sua queima completa. E não é indicado uso simultâneo de dois incensos com fragrâncias diferentes. Se pensarmos que dois incensos com cheiros distintos trazem efeitos distintos (um acalma e outro estimula), o efeito será anulado, já que a mistura de aromas também anula a distinção de cada um pelo nosso olfato.

No entanto, os objetivos de se queimar incensos permanecem os mesmos: purificar o ar, o espírito, promover paz interior, calma, serenidade e sentimentos bons em um ambiente puro e agradável.

Incensários

O recipiente em que se queima o incenso é chamado incensário ou turíbulo (eu também chamo de porta incenso, diga-se de passagem).

Existem vários modelos, principalmente próprios para varetas, mas eu vou dizer que a minha exigência é bem grande, porque nenhum parece comportar bem as cinzas que acabam caindo – nem os de pires muito menos os alongados. Conhece alguma opção diferente?

Acredito que a melhor opção seria que os incensários fossem em formatos de vaso, mesmo. Altos e ao mesmo tempo super decorativos. Os próprios vasos decorativos poderiam ter finalidade e trazer um orifício pra incenso no fundo, né? Eu tenho uma sugestão, que é mais uma gambiarra, pra você utilizar em casa. Eu comprei um porta-incenso bem pequeno, justamente pra inserir dentro de um vasinho. E super funcionou!

Onde comprar incensos naturais

Incensário, apesar da limitação de modelos, existem muitos fáceis de encontrar em qualquer lojinha esotérica. Incenso também, mas incenso bom de verdade, que são os naturais, feitos artesanalmente, onde?

Bem, vasculhando a internet encontrei algumas opções amigáveis, aqui vão alguns links para você se fartar (não é publi ainda! rs) 🙂

incensos fênix

Incensos Fênix – a marca é produtora artesanal de incensos e vende online para todo o Brasil! Pelo site a empresa mesmo descreve a preocupação que tem com a qualidade dos produtos e ainda descreve como é realizada a fabricação dos incensos. Bem bacana!

Inca Aromasa Inca aromas tem a mesma proposta e desenvolve incensos naturais com a mesma dedicação, além de alguns outros produtos em seu e-commerce. Vale super a pena dar uma conferida!

Dharma Incensos Artesanaisa loja no Instagram tem incensos de vários tipos (produz desde 1991!) e a constante preocupação com o meio ambiente. Confere!

Santo Incenso – essa lojinha é um amor! Tem produtos diferenciados e embalagens muito charmosas! Eu se fosse você passava lá também!

Ficou faltando alguma lojinha mara que você conhece? Me fala!

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