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Ser minimalista funciona mesmo?

16 de setembro de 2018Jessica Moraes

Minimalismo, taí um assunto que foi exaustivamente abordado nos últimos anos e que eu, fascinada, me identifiquei de pronto. Sempre fui consumista mas nunca acumuladora; gostava de manter um certo equilíbrio e me dispunha de dar/vender coisas para, no entanto, comprar outras no lugar.

E esse foi meu primeiro desafio com o minimalismo. Achava o máximo essa história de armário-cápsula, e admito, ainda acho. Queria muito substituir meu armário por uma arara de roupas e por aí vai.

Lá ia eu separar de 25 a 30 peças por estação, com aqueles tais coringas imprescindíveis para poder variar os looks sem “comprometer o estilo”. Optei por aquelas peças básicas, mas deixei umas coloridas guardadas, vai que, né.

Que inocência! Entrava numa loja de departamentos achando que eu seria intocável, mas na realidade eu encontrava sempre uma justificativa para levar uma peça maravilhosa de mais de 100 reais que seria fundamental para a “evolução do meu novo estilo básico e minimalista”.

guarda-roupa minimalista

E lá ia o meu dinheiro junto com o minimalismo pelo ralo. Influencers de instagram gringas me impediam de manter o armário cápsula, num delicado momento em que eu questionava meu estilo de vestir e encontrar outros caminhos para mulher de trinta que ia crescendo.

Isso significa que eu não acredito no minimalismo?

Muito pelo contrário. Eu acredito cada vez mais, mas eu acredito no minimalismo à minha maneira. Eu acredito no minimalismo pé-no-chão, não num composto de regras. E não que eu ache a ideia do armário-cápsula ruim, ele foi inventado para ajudar as pessoas, mas é inviável acreditar que todas elas seguirão à risca uma metodologia de comportamento pessoal – o ato de se vestir. O ato de se vestir sugere subjetividade, personalidade. Não dá pra padronizar, mas dá perfeitamente pra adaptar.

O bacana é criar suas próprias regras. E é aí que eu eu acho que o minimalismo entra. Como conceito, como bússola pra te guiar quando você desenvolver suas normas e seu jeito de se vestir gastando e acumulando menos.

Como eu minimalizo

Eu não determino quantidade de peças que eu devo ter, mas meu bom senso diz que o ideal é ter a quantidade que cabe no meu guarda-roupa e nas minhas gavetas. 😆

E se eu decidir comprar algo novo, eu avalio alguns critérios antes que fazem sentido pra mim. E olha só, não é aquele critério de “eu preciso?”, não. Precisar é algo relativo. Eu não tenho nenhuma meia-calça hoje, não preciso dela hoje, mas um dia eu acho que eu vou precisar. Entende? Ela não é parte fundamental da minha sobrevivência. Roupa nenhuma é. Então esse critério eu descarto. Um critério que eu uso, não porque é certo ou errado, mas porque eu acredito que tem a ver comigo, é: “isso faz sentido pro estilo de mulher que eu sou hoje ou quero ser?”.

minimalismo roupas
Reprodução: The Blissful Elefante

E esse tipo de critério faz toda a diferença pra mim. Explico o porquê: sempre gostei de comprar peças bonitas. Aquelas que enchem os olhos sabe, que parece estar te chamando! rs

Mas a real é que ela não vai fazer parte do meu dia a dia. Ela vai ficar encostada no meu armário porque é bonita demais. Porque não tem a ver comigo, porque não é apropriado para aquele momento.

E essa é a maior armadilha de todas: comprar pra um determinado momento. Pra mim só dá certo o que eu comprar para o dia a dia! Que eu vou usar no trabalho, no fim de semana, etc. Ela realmente tem que casar com a peça de cima, de baixo, com acessório e assim segue o ritmo. Se ela destoar demais de tudo é sinal de dinheiro mal gasto.

Minimalismo na decoração

O mesmo vale para a decoração. Antes, eu achava o máximo ter tudo. Afinal, era tanta coisa linda nas lojas de decoração, desde as mais caras até as mais baratas. Resultado: tralha e pó em cima dos móveis. Nada conversa com nada e sua casa ao invés de ter uma identidade sua, fica parecendo um museu! 😛

minimalismo na decoração

Depois eu achava que chique mesmo era não ter nada. Colocava uma florzinha em cima do aparador e tava tudo certo. Um sofá basta. Deixa tudo vazio, assim não tem trabalho de tirar pó. Coloca no máximo uma planta.

Resultado: uma casa sem identidade e sem alma. Quem entra não reconhece seu estilo (a não ser minimalista radical), não sabe o que você gosta de ler, de ouvir, de assistir, etc.

É legal mostrar sua personalidade, porque no fim das contas, você mora lá. Lá é o seu refúgio, por isso lá estão as coisas que você gosta, principalmente quando você está sozinho(a).

E eu sempre me senti dividida com isso, fruto da influência que as redes sociais proporcionam hoje pra gente. E com o passar do tempo eu entendi que, como decorar a minha casa deveria fazer sentido só pra mim e refletir de alguma forma quem eu sou. Nem mais, nem menos.

minimalismo na decoração

Eu me compreendi no equilíbrio. Eu posso demonstrar através da minha ‘assinatura decorativa’ as coisas que eu gosto, o que tem a ver comigo. E ao mesmo tempo ser simples, não ter tantas coisas, me ver mais minimalista.

Eu acho que o segredo aí é não buscar a perfeição. Eu sempre fui muito organizada e perfeccionista, e quando eu entendi que o equilíbrio era a resposta, eu eliminei os excessos. Inclusive os de preocupação com decorar a casa. Eu não preciso de tudo que eu vejo por aí, mesmo 🙂

Minimalismo para a vida

E eu acho que isso vale pra vida. Com objetos, coleções, móveis, arquivos digitais, etc. Eu acredito que o minimalismo é um conceito que funciona mais do que ter mais ou menos coisas: ele quer desafiar nossos hábitos e comportamentos. Se você já tem fragilidade em comprar, evite as lojas. Se seu problema é se influenciar demais com as referências que têm na internet, não acompanhe de perto no Instagram. Afinal, sabemos que o melhor nesses casos é ficar longe do vício. E melhor que evitar essas fraquezas de consumismo é trabalhá-las, mais aí é assunto pra outro post.

Mais difícil pra muita gente é desapegar de objetos de valor sentimental, e eu entendo, às vezes é difícil mesmo. Minha maior dificuldade de desapego é de fotografia. Mas se você pensar que no nosso mundo hoje o que mais a gente faz é tirar foto, não tem HD que caiba tudo o que ainda vamos registrar! rs

Então de vez em quando eu dou uma organizada, por mais que pareça maluquice. Apago prints e fotos que eu sei que eu nunca vou parar pra ver de novo. E isso é normal. É humano. Não vou deixar de tirar fotos, mas vou tentar tirar menos.

minimalismo na decoração

Minha maior superação foi apagar todos os meus álbuns de mp3, viciada em música que sou. Parece que graças à Netflix, Spotify, apps de bancos e afins, não precisamos mais guardar cds, dvds e notas fiscais. Um problema a menos, tá tudo na nuvem (eu só tenho medo da nuvem evaporar um dia)!

Bom é isso, não sei se meu jeito de viver o minimalismo é o certo ou é o errado, só acho que o melhor jeito talvez seja o seu, de não deixar morrer a ideia de desapegar sempre, mas adaptando para o seu formato e para a sua realidade, sem neuras!

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